Como foi publicar meu primeiro livro de forma independente, em meio à quarentena

Olá! Esta é a minha primeira postagem no blog, e pensei em trazer um pouco sobre como foi o processo de autopublicação do meu primeiro livro que, por acaso, aconteceu em meio à quarentena. Ou seja: tudo novo pra mim.

Em 2019 eu tive grande apoio de pessoas que também escrevem literatura para que eu começasse a expor meus escritos. Eu tinha medo de não ser suficiente. Mas tomei fôlego e me joguei, disse que em 2020 eu me permitiria mais, me mostraria mais enquanto escritora. Eu tinha planos de publicar um livro de poesia. Nunca tinha pensado em produzir literatura infantil, apesar de sempre ter amado ler livros voltados para as infâncias.

No início de 2020 eu me propus escrever um texto a partir de um desafio do Clube Entre Escritas (projeto de incentivo à escrita criativa, que coadministro com Tainah Cerqueira). A provocação veio do escritor também baiano, Anderson Shon, em 2019. Ele sugeriu para o grupo que escrevêssemos um dicionário inusitado. Participando como ouvinte em um evento literário naquele ano, tive a ideia de criar esse dicionário a partir do olhar de uma criança. E foi assim que começou a história de Jana.

Nós, no Entre Escritas, temos o costume de compartilhar nossos textos, e eu mandei o primeiro esboço no grupo. A escritora Ana Fátima, que também produz literatura infantil, me falou que aquele texto não seria somente um “continho”, como eu estava chamando, mas que se lapidado, poderia se tornar um livro. E assim, começou a minha história no universo infantil, como escritora.

Eu procurei ouvir outras opiniões de pessoas com experiências em publicações (tanto para os mais jovens, quanto para adultos), fui adequando o vocabulário, mudando detalhes na história… Jana foi tomando forma.

Então, entrei em contato com Quezia Silveira, que foi quem ilustrou o livro. Ela tem trabalhos incríveis, e eu já acompanhava suas postagens há alguns meses. Nossa parceria não poderia ter sido melhor! Quel abraçou o projeto e deu vida a Janinha e sua família, de uma maneira muito linda e potente. Um livro infantil tem sua riqueza muito também por conta das ilustrações, e ter Quel comigo nessa empreitada foi essencial.

Durante os ajustes com Quezia, eu fui atrás de saber sobre as partes burocráticas. Eu sabia praticamente nada sobre os processos de publicação, e acredito que amadureci bastante nesses meses de produção de “O divertido glossário da Jana”. Aprendi sobre ISBN (que é como um RG do livro), sobre maneiras de registrar obras, como fazer código de barras, ficha catalográfica, a pensar tamanho do livro, tipo de papel, tipo e tamanho das letras (e aí foi muito importante ter o feedback de responsáveis por crianças, de educadoras e das próprias crianças, que leram trechos do livro para que eu soubesse se estaria legível e entendível pra galerinha)… foram muitos detalhes. Além disso, precisei administrar os orçamentos de cada etapa. É importante ressaltar: é imprescindível a revisão do livro! Não lance sua obra no mundo sem antes passar pela revisão. Além dos retornos das pessoas que leram o texto bruto e trechos da história, Evanilton Gonçalves e Anderson Shon foram responsáveis por revisar o livro já “pronto”, e sinalizaram várias coisas para serem repensadas e/ou modificadas. Quando imaginei que já estaria tudo concluído, ainda tinham detalhes para ajustar: coisas que nem imaginávamos ser possivelmente problemáticas. Por ser uma obra principalmente voltada para as crianças, foi necessária atenção triplicada.

Quando estava criando a quarta capa do livro (aquela do fundo), Quel me perguntou se eu escreveria sobre a história ou convidaria alguém para fazer esse textinho sobre a obra. Não precisei pensar muito: convidei três autoras que produzem literatura infantil e que admiro demais: Ana Fátima, Cássia Valle e Cidinha da Silva. Para mim, foi essencial pensar em nomes de pessoas que estão envolvidas em produções infanto-juvenis e que me inspiram.

Pré-venda & Lançamentos

Boneca e caderno feitos por mim.

Durante o processo de produção do livro, eu comecei a pensar em como faria a divulgação dele, além do que seria bacana fazer de brinde para quem comprasse na pré-venda. Então, criei um cronograma de divulgação e fui conversar com mais responsáveis por crianças, para entender melhor o que eu poderia criar. Sou artesã, e queria fazer algo que eu mesma pudesse confeccionar. Pensei no caderninho artesanal, por ser um brinde útil e que conversa muito com a própria história da obra.

Eu acompanhei várias pessoas falando sobre a importância de termos um site ou local onde estejam nossas informações profissionais, porque as redes sociais a qualquer momento podem acabar (saudades, Orkut), e nosso portfólio deixar de existir junto com elas. Foi assim que surgiu a ideia e necessidade de criar este site que você está acessando. E para ele existir, precisei de uma pessoa para criar o design (a responsável foi a Jeniffer Geraldine), investir também na hospedagem e domínio do site.
Depois disso, pensei: “vou precisar enviar os livros e não quero pôr meu endereço”. Então, criei uma caixa postal. E aí: mais um investimento.
Eu falei que eram muitos detalhes…

Desde o início do processo de produção do livro, eu falava em participações em eventos online (porque começamos os trabalhos quando a quarentena também já tinha tido início, como contei ao começar esse texto) sobre o livro, então, algumas pessoas já estavam atentas sobre. Próximo ao início do processo de revisão, eu lancei a revelação da capa. Pensei que, por ser uma escritora iniciante e estar publicando de forma independente, teriam poucas pessoas interessadas em investir na compra do livro, mas eu estava errada (que ótimo!). Revi, junto com Rafael Rocha (meu companheiro, que é contador) um novo orçamento, porque precisaríamos aumentar a quantidade de livros a serem impressos.

Voinha colorindo ♥

Durante a pré-venda, semanalmente eu fui postando informações e curiosidades sobre as personagens da história. Quel criou cards, que foram muito bem aceitos por quem estava acompanhando as postagens. Ela também sugeriu a criação de um arquivo de colorir, com algumas cenas do livro. Ficou lindo, e eu fui enviando para cada pessoa que efetuava a compra. Você pode ter acesso ao material aqui.


Depois da pré-venda, eu pensei que fosse ser mais tranquilo, mas me enganei (de novo).

Exausta, mas feliz.

Começamos, eu e Rafael, os processos de embalar, autografar, terminar de confeccionar os caderninhos, levar para o Correios, entregar livros em Salvador… Foi muito cansativo! Em alguns momentos, eu chorei de cansaço. Mas, valeu à pena! Mais da metade da cota impressa foi alegrar novos corações. Eu sou grata pela confiança e apoio que recebi durante toda essa caminhada. ♥

O lançamento online de “O divertido glossário da Jana” aconteceu em nosso canal no YouTube, no dia 19 de setembro de 2020, e foi lindo! Você pode assistir ao vídeo, que teve participação de Deko Lipe, Quezia Silveira e Helena Nascimento, aqui. Depois desse momento, eu lancei a obra, também virtualmente, no Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS), na Mostra Literária de Salvador 2020 e na Feria Virtual del Libro Argentina (minha primeira participação em evento internacional).

Lançamento, no dia 19/09/2020

Jana foi uma grata novidade em 2020, e continua me alegrando e emocionando.

Por enquanto, as vendas estão acontecendo diretamente comigo (você pode mandar e-mail para contato@eulorenaribeiro.com), mas em breve nós estaremos em mais lugares.

Eu espero que você tenha curtido ler como foi minha trajetória na produção da  minha primeira publicação, e que essa partilha possa te inspirar a se lançar no mundo também.

Até breve.

Lorena Ribeiro

2 comentários sobre “Como foi publicar meu primeiro livro de forma independente, em meio à quarentena

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